sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Época das douradas

 Olá amigos.

Com a época das douradas já terminada, época essa na pesca embarcada, resume-se a um ano com menos douradas, parecido ao ano passado, penso que não há menos, elas é que simplesmente escolheram outras zonas para se juntarem, e não nos sítios de costume que frequentam por norma aqui nas funduras de Sines.


Se o ano passado apanhei umas boas em final de Outubro, este ano isso não aconteceu, vi logo que não valia a pena investir nelas e sim ficar aqui a porta de casa e apostar nas lulas, mas com a chegada de Novembro é inevitável ir a procura delas.

Posso dizer que na minha primeira procura, fiz provavelmente a pesca mais bonita da época não em quantidade mas em qualidade, muitas douradas quileiras que ao pé do meu record pessoal parecem safatinhas da ria.

O nascer e o fim do dia é sempre bom de presenciar, por aqui nasce em terra e põe-se no mar.

Foi uma pescaria que a segunda queda da chumbica, atraca-se uma burra gorda e pesada, que ao contrário de ferrar um peixe destes na pedra ou praia, na vertical é apenas uma luta de drag e ter a sorte de ela não trincar o fio, quem pesca de barco sabe que 95% das capturas elas não engolem o caranguejo e o sucesso de as trazer para cima é bem grande, as mais pequenas quase sempre dão mais luta (cabeçadas) do que as maiores.

Pesca bastante bonita, só faltou mesmo um sargo quileiro ;)

Depois um gajo chega a casa e o amigo vizinho arranja maneira de arranjar o acompanhamento para o peixe, não se pode pedir mais:)

Existe várias espécies de peixes na nossa fundura que parecem ser de aguas tropicais, uma dessas são as andorinhas, esta coitada vinha roubada, nos dois anzois, ainda teve força para voltar a casa, mesmo assim conseguiu retomar vida dela.

Sei que quem espreita o blog é mais ligado a pesca apeada e eu apesar de ter barco, gosto bem mais de pescar por terra, só que com tanto mar bruto o barco é uma vertente que se não estiver vento pesco com mares de 4 metros e dá para sair para o mar devido ao cabo de Sines proteger a parte Sul , se chegar a boia do molhe leste e estiver agressivo, virasse a marcha e vai-se para sul

Neste dia não há dúvida que o rumo de Norte é seguro.

Boas fainas e prometo que o próximo post será pesca na areia.



 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Festival de cores

 Viva pessoal, estou de volta para mais um post.

Poderia fazer várias histórias com ilhadas, pescas essas feitas até com alguns amigos e peixes bonitos, mas isto de andar a tirar fotos sempre aos peixinhos não é bem a minha onda, muitas dessas pescas ficam só na minha memória.

Na pesca embarcada já é mais fácil fazer alguns registos

Com tanta pesca e tanto mar, chega o fim de verão e começa a procura das primeiras lulas na pesca embarcada, pesca essa a quem devo ter barco, sempre adorei pescar à lula, e por norma o meu pai acompanha-me, muitas das pescas são sofridas, com mar, vento, escuridão, frio e muitas vezes horas sem sentir uma única lula.

Mas em compensação há muitos dias de festival de cores...

Uma vantagem desta pesca, comtemplas sempre o pôr do sol, que é um momento relaxante, não levamos iscas e conseguimos estar sem apanhar nada muito tempo, apenas porque vamos ouvindo um relato de futebol, da Champions são os meus preferidos, e o tempo passa e não das por ele.

Do nada quando pensas que nas 4 horas que estas ali e tens 3 ou 4 lulas, entra um cardume daquelas mocas da desova, e tens as canas todas ao mesmo tempo a dobrar, que nem sabemos qual puxar, em 2 minutos fazes a pesca... 

Um par delas no intervalo da bola, uma coisa que mudei nesta pesca foi como as pesco, neste ano apostei em duas canas e dois caneiros com a medida ideal, para estas estarem sempre a tonear sozinhas junto ao fundo, depois uso um aparelho de mão para ir toneando do fundo até ao barco.


Lindas cores 


O meu pai usa com cada palhaço do Chinês :)  por norma ponho xalavar nelas e sou sempre eu a ajuda-lo, nisto sou eu que tiro os palhaços dos tentáculos delas, e desde palhaços zarolhos, despelados, com coisas coladas, com luzes dentro e imaginem até palhaços gadelhudos, ahahahahah, todos eles tiram lulas, o que é certo é que ele crava com cada tubo, com aqueles desgraçados ahahahahahah.

O nascer do dia também muitas vezes traz cores magnificas.

Nesta época de fim de verão, também começa a haver logo malta a procurar as douradas na fundura, este ano pesquei muito menos as douradas, pois dediquei mais tempo as lulas, mas volta e meia ia ver se apanhava umas.

Muitas das vezes pesco bem mais perto e mais baixinho, principalmente depois de levar chibos mais longe, faço pescas que nem espero, penso que também tem que se ter sorte a dar com o peixe, eu gosto muito de pescar aos sargos com chumbicas bem leves é uma pesca bem divertida, claro quando eles estão lá, muitas das vezes é safias que parecem piranhas


As cores do dia são bem bonitas e dos percebes de qualidade também.





Com tanta cor, acabo com a minha foto preferida dos últimos tempos


Boas fainas


domingo, 5 de janeiro de 2025

Pesca variada

 Olá pessoal.

Como antigamente, dia chuvoso e invernoso era dia de relato, depois de duas ilhadas, que poderiam ser muitas mais descritas aqui, mas acho que é um pouco repetitivo, pois 80 por cento é sargos e mais sargos, vou publicar várias fotos de momentos bons para mim, esperando assim entreter a malta neste belo dia de Inverno.


Se todos nós temos o nosso quintal na pesca ou no surf, eu por acaso tenho vários que considero o meu quintal, apesar de passar meses sem ir a esses quintais, já passei lá muitas e boas horas, tanto pescando ou surfando, por normas esses sítios são bem pertinho de casa.

Muito da minha desmotivação para surfar, foi a invasão de surfistas por aqui, onde 90 por cento não respeita ou tem uma boa atitude quando entra num local seu desconhecido, entendo por vezes o localismo em certos sítios, o mar não é de ninguém, mas regras são importantes para manter o respeito.


Sargos ilhados são o meu forte no verão, como gosto de pescar em pedras diferentes, consoante as previsões, com a prancha é raro alguém me incomodar, tirando o pessoal da caça submarina, que por vezes se aproxima demasiado dos ilhotes onde estou, mas ultimamente até tem respeitado.


Já não me recordo se publiquei está foto, mas num dos meus cantinhos prediletos (quintal), onde devido as obras da expansão do Molhe leste aqui de Sines, agora quase não tem areia, já era o tempo que fazia praia no verão e pescava aos sarguinhos só para a refeição diária, que saudades, foi pena as santolas estrem fraquinhas, senão ia lá buscar umas 20 que deixei lá.


Como abriu a época, lá tive que começar a fazer uns petiscos, para quem pensa que percebes são todos iguais enganam-se, a qualidade varia de pedra e local onde se apanha.

Percebe bom é percebe que cozido não enruga e a parte oposta a unha é alaranjada, não muito grandes e largos, são mesmo marisco de alta qualidade, nem sempre se consegue apanhar percebe deste, como é normal.


Uma ilhada com brinde de dourada merece sempre foto, penso que foi o verão que apanhei mais douradas nas ilhadas.


Quando os sargo são fartura, tenho que aproveita-los de várias maneiras, fritos, grelhados, no forno ou até mesmo de caldeirada, se alguém que come o que apanha sou eu mesmo, com ajuda da horta do meu amigo e vizinho Vidal, tenho uma alimentação rica e saudável, tirando a cervejinha e petiscos :) que não é sempre claro.


Quando enfrento o mar, pois vejo mesmo assim as coisas, estar ali por vezes sozinho com mar grande é uma situação de paz, mas também de desconforto, pois ai vemos que basta um deslize para algo correr mal, somos um bago de areia naquela imensidão de água, neste dia até aquela nuvem intimidou-me:)


Por norma antes do Natal, costumo fazer umas marés ao povo, dantes abundava navalheiras, este ano as que vi ficaram lá para crescer, coisa rara não trazer uma navalheira, que pena mesmo apanharem tudo, sim porque se apanha muita navaheirinha pequena.

Por hoje é tudo, que seja um bom ano de pesca para todos, que agem com respeito e paixão ao mar, saúde:)

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Ilhada perfeita

 Pois é malta, desta vez continua a saga da ilha.

Com um dia quente no final do verão, volto a ilha do robalo, claro que nem voltei para caçar outro, voltei para apanhar uns sargos, pesca que parecia que iria ser chibateira, coisa rara nas ilhas no verão, mas a primeira hora de pesca nem um peixe senti, ilha grande e rasa, nem um peixe se via na espuma, o mar estava espetacular, sem vento e calor, parecia impossível não haver peixe.

Pesco quase sempre leve e bem raso, quase fora de água, muitas vezes apanho sargos em sítios que ninguém lançaria, acreditem mesmo, por vezes parece que conheço a pedra, que pesco a 15 anos, mas não pois apanho peixe para onde nunca tinha lançado, e como não sentia nada, lancei para uma parte mais funda, coisa que detesto por causa das choupas, safias e os vermelhinhos com nome feito.

E de repente, num mamar, dou a ferrada e começa uma boa luta, vi logo que era uma dourada já boa, tal era as cabeçadas consecutivas, desta vez encalho o peixe na traseira da ilha depois de a contornar calmamente, chibo já não era.


Uma douradinha nesta pesca sabe sempre bem, volto a lançar para o mesmo sítio, coisa que também não costumo fazer e atraco noutra logo de seguida, mais pequena, mas boa também, leva o mesmo caminho e rede com ela.

De seguida vou ao lado oposto da ilha e sem saber ler nem escrever, cravo outra do lote da segunda, bem mas vim aos sargos e só há douradas:)


Mas a coisa arrefeceu, foi mais uma hora sem sentir nem um peixe, a maré estava no pico da praia mar, e eu sei que muitas vezes, com a maré a escorrer para baixo os sargos resolvem comer, aguentei ali mais um bom bocado para a hora que poderia dar um peixinho.

A coisa começou a aquecer o do nada apanhei um belo sargo, coisa que se foi repetindo em cada lançamento que fazia para um único sítio especifico da pedra, estavam em fila a comer naquele cantinho, foi aproveitar ao máximo.


E que belos sargos todos entre o meio quilo e as 800 gramas, um lote bem bonito.

De manhã tinha ido ao marisco, que por acaso também o aproveito para iscar, muitas das vezes, pesco com percebes de boa qualidade, um percebe dá uma iscada, os sargos não se negam a um bom percebe:)

Costumo ver uns bons búzios de vez em quando, desta vez justificou traze-los já era uma boa teca, estavam todos numa única fenda da pedra.


O petisco hoje é lulinhas à Algarvia a minha maneira.

É caso para dizer, uma ilhada perfeita, eu pelo penos não peço mais.

Boas festas e um Bom Natal.



domingo, 8 de dezembro de 2024

Viva pessoal.
Já havia tempo que o blog estava adormecido, mas mesmo pensando em fazer uma publicação, perco a vontade para tal, reanima-se quando vejo as publicações de velhos blogueiros da pesca, que vão mantendo a tradição e me dão força para escrever.

Com o Inverno chegando e o defeso dos percebes, acaba a época quente do ano, tal como ilhadas e marés , marés essas que agora são feitas a apanhar uns polvos ou canivetes, e a prancha dá lugar ao barco.

Foi um verão com uns bons sargos, não muitos mas foi bastante positiva, num dia onde já tinha feito a enchente e tinha a rede composta com uma pesca bonita, quando recuperava a chumbica rapidamente para me pirar, pois no pensar era o último lançamento, atracasse um cabeçudo ao Anzol nº 2 com 0.21 no chicote e ceda 0.20.


 No momento, pensei de ter prendido na lage, mas uma cabeçada longa e uma sensação de nova prisão no fundo levou-me a crer de um peixe roubado, um bodião grandão ou uma salema, mas do nada ele arranca para o fundo.
Deixei-o ir, o drag por sorte estava bem solto e lá foi ele, tinha começado a luta que eu pensava que seria rápida, pois esperava partir a ceda rapidamente, 0.20 a roçar nas pedras, com um comboio destes ai pensei, robalo ou corvina, subi para a parte mais alta da lage, e fui curtindo a luta, bem vou curtir que a chumbadinha ao sargo nunca tinha visto a frágil cana vergar tanto... 


Os minutos passavam e o fio não havia hora de partir, para ajudar o mar tinha um belo toque, situação que ainda mais ajudava a pensar que este peixe nunca chegaria a mim, estive uns bons minutos a curtir e quando a linha já ia para o seu fim, apertei um bocadinho com o peixe para partir finalmente, ahahahahah, mas de repente fica um peso morto, forcei mais um pouco para partir e vejo um peixe comprido a tona de água, ai a uns 100 metros de mim, até me pareceu uma corvina, pois a água turva, o prateado tinha tom de amarelado.

Fui recuperando lentamente, e comecei a acreditar no milagre, ai numa sacudidela e abertura de boca, vi que era um cumprido robalo, que mesmo magro não deixava de ser a maior captura a chumbadinha aos sargos que faria.

Só pensei, vou morrer na praia, o mar esta com muita força e mesmo na parte traseira da ilha, onde costumo trazer os sargos grandes e por vezes as douradas a água corria muitíssimo e era arriscado, como vi que o peixe estava rendido, tinha também um anglo no fio que na zona onde estava, se conseguisse encalhar o peixe, o fio não iria a pedra, e sendo uma lage rasa, teria de fazer uma descida rápida para lhe pôr a mão, arrisquei neste pensamento e foi ali 10 segundos malucos, foi apertar com o peixe na espuma, este encosta a lage ,abrir a alça do carreto com peixe fora de água e ter um espaço de 5 segundos para descer e o agarrar o robalo e bingo, tinha um lindo peixe de 5 kg magro , pois se estivesse gordo a linha partia mesmo :)


Uma sargaria destas com o robalo em cima, é mesmo a cereja no topo do bolo.


Como é boa a vida na ilha, calma, calma.


Em terra por aqui também há sítios calmos, mas já foi bem melhor.

Com a pesca embarcada, pesco sempre com caranguejo, e volta e meio sai uma espécie nova para mim, mesmo pescando à muitos anos, há espécies que é raro nos calharem, o pargo sêmea e novo para mim.


 As cores deste pargo é espetacular, por vezes dá vontade de libertar estes peixes...
Enfim, são sacrificados pela lei da vida infelizmente, mas que me dá pena dá, uma contradição estranha de sentimentos, não sentia isso antigamente.

Quando saiu do Alentejo em direção ao Sul de Sul como diz um velho lobo do mar, por vezes vou ao lodo apanhar um dos mariscos do meu top 3 de eleição, ameijoa boa da Ria Formosa.


Como manda a tradição peço aos donos do Lodo permissão para a apanha de meia dúzia de ameijoas no quintal deles para matar saudades de um dos meus mariscos preferidos, no fim acabamos a comer uma Big tosta e a falar de pesca umas horas, com a idade a avançar, em vez de 10 ou 15, já ficamos por 3 ou 5 cervejolas... o que interessa é que a tradição se mantenha.


Força ai e boas fainas.