Viva pessoal.
Já havia tempo que o blog estava adormecido, mas mesmo pensando em fazer uma publicação, perco a vontade para tal, reanima-se quando vejo as publicações de velhos blogueiros da pesca, que vão mantendo a tradição e me dão força para escrever.
Com o Inverno chegando e o defeso dos percebes, acaba a época quente do ano, tal como ilhadas e marés , marés essas que agora são feitas a apanhar uns polvos ou canivetes, e a prancha dá lugar ao barco.
Foi um verão com uns bons sargos, não muitos mas foi bastante positiva, num dia onde já tinha feito a enchente e tinha a rede composta com uma pesca bonita, quando recuperava a chumbica rapidamente para me pirar, pois no pensar era o último lançamento, atracasse um cabeçudo ao Anzol nº 2 com 0.21 no chicote e ceda 0.20.
No momento, pensei de ter prendido na lage, mas uma cabeçada longa e uma sensação de nova prisão no fundo levou-me a crer de um peixe roubado, um bodião grandão ou uma salema, mas do nada ele arranca para o fundo.
Deixei-o ir, o drag por sorte estava bem solto e lá foi ele, tinha começado a luta que eu pensava que seria rápida, pois esperava partir a ceda rapidamente, 0.20 a roçar nas pedras, com um comboio destes ai pensei, robalo ou corvina, subi para a parte mais alta da lage, e fui curtindo a luta, bem vou curtir que a chumbadinha ao sargo nunca tinha visto a frágil cana vergar tanto...
Os minutos passavam e o fio não havia hora de partir, para ajudar o mar tinha um belo toque, situação que ainda mais ajudava a pensar que este peixe nunca chegaria a mim, estive uns bons minutos a curtir e quando a linha já ia para o seu fim, apertei um bocadinho com o peixe para partir finalmente, ahahahahah, mas de repente fica um peso morto, forcei mais um pouco para partir e vejo um peixe comprido a tona de água, ai a uns 100 metros de mim, até me pareceu uma corvina, pois a água turva, o prateado tinha tom de amarelado.
Fui recuperando lentamente, e comecei a acreditar no milagre, ai numa sacudidela e abertura de boca, vi que era um cumprido robalo, que mesmo magro não deixava de ser a maior captura a chumbadinha aos sargos que faria.
Só pensei, vou morrer na praia, o mar esta com muita força e mesmo na parte traseira da ilha, onde costumo trazer os sargos grandes e por vezes as douradas a água corria muitíssimo e era arriscado, como vi que o peixe estava rendido, tinha também um anglo no fio que na zona onde estava, se conseguisse encalhar o peixe, o fio não iria a pedra, e sendo uma lage rasa, teria de fazer uma descida rápida para lhe pôr a mão, arrisquei neste pensamento e foi ali 10 segundos malucos, foi apertar com o peixe na espuma, este encosta a lage ,abrir a alça do carreto com peixe fora de água e ter um espaço de 5 segundos para descer e o agarrar o robalo e bingo, tinha um lindo peixe de 5 kg magro , pois se estivesse gordo a linha partia mesmo :)
Uma sargaria destas com o robalo em cima, é mesmo a cereja no topo do bolo.
Como é boa a vida na ilha, calma, calma.
Em terra por aqui também há sítios calmos, mas já foi bem melhor.
Com a pesca embarcada, pesco sempre com caranguejo, e volta e meio sai uma espécie nova para mim, mesmo pescando à muitos anos, há espécies que é raro nos calharem, o pargo sêmea e novo para mim.
As cores deste pargo é espetacular, por vezes dá vontade de libertar estes peixes...Enfim, são sacrificados pela lei da vida infelizmente, mas que me dá pena dá, uma contradição estranha de sentimentos, não sentia isso antigamente.
Quando saiu do Alentejo em direção ao Sul de Sul como diz um velho lobo do mar, por vezes vou ao lodo apanhar um dos mariscos do meu top 3 de eleição, ameijoa boa da Ria Formosa.
Como manda a tradição peço aos donos do Lodo permissão para a apanha de meia dúzia de ameijoas no quintal deles para matar saudades de um dos meus mariscos preferidos, no fim acabamos a comer uma Big tosta e a falar de pesca umas horas, com a idade a avançar, em vez de 10 ou 15, já ficamos por 3 ou 5 cervejolas... o que interessa é que a tradição se mantenha.