sexta-feira, 24 de maio de 2019

A recompensa.

Com a época do robalo terminada para mim, foi já numa das ultimas investidas que apanhei o peixe que me fez esquecer e dar valor a tantas horas de espera, que no meio de tanto frio, sono, cansaço e até algum sacrifício, me deu novo record pessoal, que muito sinceramente não é isso que procuro, nem faço disso um objectivo ou foco, acima de tudo a pesca para mim, engloba gosto, auto sustentabilidade, tirando partido do mar e gastando o menos dinheiro possível,  para uma alimentação saudável, sem estragar o eco sistema e preservar ao máximo a natureza e aproveitando os seus recursos...

 Depois de 3 noites sozinho num spot bem perto de casa, fiz por volta de 6,7 horas de pesca diárias com apenas 2 bailas daquelas já de bitola rara, o 4º dia o Mário teria tempo para se juntar a mim, mas como se atrasou decidi trocar de praia já era muita grade, para voltar ao mesmo pesqueiro.
O Mário quando se despachou, ficou mesmo perto de casa, no spot que tive 3 dias, depois de 3 horas de pesca, liga-me a dizer que ia embora, pois já tinha a pesca feita, um macaco com quase 4 quilos e uns tantos sargos.
Eheheheh, estive lá 3 dias e nada, o Marinho chega lá e pimba, a meia noite passo na casa do Mário a pedir-lhe o segredo, pois ele andava a enganar-me concerteza, eheheheheheh a risota que isto deu...
Depois de ele me dar o resto da isca (mágica) dele, fui a casa esticar as pernas até as 3 da matina, para fazer ali 4 horinhas brutas até nascer o dia.
Era 5 da manhã e nem uma escama, como a noite era de temperaturas negativas, levava 0,5 litro de tinto e um pouco de moscatel, isquei as iscas com a magia do Marinho, emborquei a bebida toda com uma sandes de presunto, fiz um abrigo da humidade que caia, enrolei-me todo com a  pancada do tinto, marimbei-me para pesca e embalei até a 7 da matina num sono tão profundo que o areião gelado transformou-se nas Caraíbas a descansar ao sol , ahahahahahahhaha
Quando acordei ainda de noite, fui ver cana a cana a resmungar e a dizer que para mim bastava este ano de tanto sofrimento, as canas estavam que nem estátuas, depois de ver as duas que estavam ao pé de mim, fui até a 3ª que estava ai uns 200 metros, estava tal e qual, peguei nela e pumba, uma cabeçada daquelas que nem um gajo imagina, só disse para mim, finalmente tenho a recompensa nas unhas. 
Começou o baile, tinha um chicote artesanal de 30 metros  0,50 e nunca perdi um peixe com este diâmetro de fio, sabia que ao entrar o 50 no carreto, era a minha força contra a dele, mas este ano, esta praia ficou com dois fundões de seguida, isto é a onda quebra côco arrebenta no 1º fundão e no segundo faz back wach, como se diz no surf e retorna no 2º, fazendo a escoa final o contrario, em vez de por para fora , o gajo ganhava força com o nível da água e voltava para traz com o gás todo, apertei com ele umas 15 vezes para o por fora, mas mesmo à bruta,  desistia, abria drag e deixava-o ir, como aqui é só areia, tinha tempo para o cansar, mas eu que me cansei, ahahahahahah
Um dia destes, com mais uma grade enchi a arca com outro tipo de peixe, lá atrás também ceifei aqueles belos agriões.
Mas continuando com o peixe nas unhas, depois de estar a pescar desde as 5 da tarde, com entrevalo ali de 3 horinhas,acordei de rastos no gelado areão, a força era pouca, já nem sabia o que fazer, parecia que lutava com uma pedra as cabeçadas, aguentei o gajo ali 5 minutos para me acalmar e ganhar força, foi sem dúvida a maior batalha que tive com um peixe, não sei ao certo, mas aquilo já durava a 20 minutos, o dia estava a rebentar e quando tinha o peixe ali a 10 metros, o degrau da linha do mar para o fundão era tão grande que sentia a chumbada a enterrar com o peixe a puxar, teria que esperar por um set de onda um bocadinho maiores e ter a sorte de a embalagem do mar me dar uma ajuda.
Já estava todo molhado, quando em mais um aperto, finalmente uma onda me dá uma ajuda e o peixe passa ao meu lado, ai agarrei-me logo a ele, para traz já não voltava, se  não era mais do mesmo. 
Nunca mais vou esquecer desta luta, este dia, a noite gelada, também disse para mim mesmo, acabou a robalagem e agora quero é pescar uns listados redondos, a época para mim acabou, eheheheh.
Abri a época do sargo, com uns peixes bons também, o cheiro a mar e o som do sal a estalar na brasa veio para ficar no meu quintal :)
Um dia destes, ao tratar de uns négocios, passei no Peso da Regua, sitio lindo, reparei num homem a pesca e fui ver o que se pescava ali, por sorte, ele tira um Lucio Perca, mesmo na minha frente ai com uns 2 quilos, lindo peixe, para mim uma novidade.



Lindo peixe, comprido e magro, com uma genica louca... 
Boas fainas.